CÓDIGO CIVIL
Lei Nº 10.406, de 10 de Janeiro de 2002.
Artigo 455
Se parcial, mas considerável, for a evicção, poderá o evicto optar entre a rescisão do contrato e a restituição da parte do preço correspondente ao desfalque sofrido. Se não for considerável, caberá somente direito a indenização.

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ARTIGOS
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Resumo Jurídico

Título: A Venda de Estabelecimento Empresarial: O Que Você Precisa Saber Sobre o Art. 455 do Código Civil

O artigo 455 do Código Civil aborda uma situação específica e importante dentro do direito empresarial: a venda de um estabelecimento empresarial, também conhecido como ponto comercial. Ele estabelece regras cruciais para garantir a segurança jurídica tanto para quem vende quanto para quem compra esse tipo de bem.

O que o artigo 455 diz, em essência?

Em sua forma mais direta, o artigo 455 determina que, ao se vender um estabelecimento empresarial, o adquirente (quem compra) deve responder pelas dívidas do alienante (quem vende), que se tornem exigíveis após a publicação dos atos ou formalidades da transferência.

Vamos desmistificar isso:

Imagine que uma pessoa possui uma loja. Essa loja não é apenas o prédio físico, mas engloba toda a estrutura: estoque, equipamentos, clientela, marca, ponto comercial, etc. Quando essa pessoa decide vender toda essa "fábrica de negócios" para outra, o artigo 455 entra em cena.

A publicação dos atos ou formalidades da transferência é um passo fundamental. Significa que a venda precisa ser oficialmente registrada, tornando-a pública. Isso pode ocorrer, por exemplo, através de registro na Junta Comercial ou em outros órgãos competentes, dependendo da natureza do estabelecimento.

A responsabilidade pelas dívidas:

O ponto chave é que, a partir do momento em que essa transferência se torna pública, o comprador se torna responsável por dívidas do vendedor que venham a ser exigidas depois dessa data.

Exemplo prático:

João vendeu sua padaria para Maria. A venda foi devidamente registrada e publicada no dia 1º de março. Em 15 de março, o fornecedor de farinha da padaria, com quem João tinha uma dívida antiga que vencia apenas em abril, decide cobrar a dívida. Neste caso, Maria, a nova proprietária, será responsável por pagar essa dívida, pois ela se tornou exigível após a publicação da transferência.

Importância dessa regra:

  • Proteção aos credores: Essa regra visa proteger aqueles que confiaram seus produtos ou serviços ao estabelecimento. Se o vendedor simplesmente desaparecesse após a venda, os credores poderiam ficar sem receber.
  • Segurança na transação: Para o comprador, é essencial estar ciente dessa responsabilidade. Ao negociar a compra, ele deve fazer uma análise cuidadosa das dívidas existentes e considerar isso no preço de venda ou negociar com o vendedor a quitação dessas pendências antes da transferência.

O que o comprador pode fazer para se proteger?

Embora o artigo 455 estabeleça essa responsabilidade, o comprador não fica desamparado. Para mitigar os riscos, é altamente recomendável que o adquirente:

  1. Realize uma diligência prévia completa (due diligence): Investigar a fundo as finhas do estabelecimento, as dívidas existentes, os contratos em vigor, as reclamações trabalhistas e fiscais.
  2. Faça constar no contrato de compra e venda cláusulas claras: É possível negociar que o vendedor se responsabilize por todas as dívidas anteriores à transferência ou que uma parte do valor da venda seja retida para garantir a quitação de débitos pendentes.
  3. Notifique os credores: Em alguns casos, informar os credores sobre a venda pode ser uma medida preventiva.

Em resumo:

O artigo 455 do Código Civil é um dispositivo legal que disciplina a sucessão de responsabilidades em caso de venda de estabelecimento empresarial. Ele estabelece que o comprador assume as dívidas do vendedor que se tornarem exigíveis após a publicidade da transferência. Portanto, tanto o vendedor quanto o comprador devem estar atentos a essa regra, e o adquirente deve tomar medidas de cautela para evitar surpresas desagradáveis. A consulta a um profissional do direito é sempre recomendada para garantir a segurança jurídica em transações de grande porte como essa.